GenoEvidence
a letra trocada · c.1010G>A

GenoEvidence Bioinformática R337H · estudo em andamento

R337H

A pequena alteração no gene TP53 que aumenta o risco de câncer na Síndrome de Li-Fraumeni. E por que ela é tão comum no Brasil.

Ana Júlia Silva Rodrigues Thaisa Carvalho Orientação: Profa. Dra. Patrícia Alves

A síndrome

Li-Fraumeni: uma herança que aumenta o risco de câncer

Condição rara, passada de pais para filhos (), causada por alterações no gene TP53. Quem a tem pode ter vários tumores ao longo da vida, às vezes já na infância.14

Em poucas palavrasO risco começa cedo e cresce com a idade. Portadores precisam de acompanhamento médico.11

Até os 30 anos50%

chance aproximada de já ter tido câncer.5

Ver gráfico →
Até os 60 anos>90%

a chance passa de 90%.5

Ver gráfico →
Sul e Sudeste do Brasil~0,3%

cerca de 3 em cada 1.000 pessoas têm a R337H.1112

Por que no Brasil? →
AtençãoNão é sentença

ter a variante não garante câncer ().3

Entender →

Em que idade o câncer costuma aparecer

Giacomazzi et al.5

Faixas vermelhas: os dois picos de diagnóstico (antes dos 10 anos e entre 30 e 50). A linha liga os valores do estudo; entre eles, o traçado é aproximado.

Quantos portadores têm câncer, por sexo

Giacomazzi et al.5

Nas mulheres, a taxa é próxima de 100%, mas não exatamente 100%: nem toda portadora terá câncer. Os dois sexos herdam a variante igualmente; a taxa maior nas mulheres vem do câncer de mama.

Tipos de câncer mais ligados à síndrome

refs.121721

Clique em um tipo para ver os casos registrados.

A mutação

Uma letra trocada muda uma peça da proteína

O DNA é lido em trios de letras (), e cada trio indica uma peça da proteína (). Na R337H, um G virou A: o trio CGC virou CAC, e a peça 337 da p53 trocou arginina por histidina.8

R

Arginina, a peça original

337

Posição na p53, que tem 393 peças

H

Histidina, a peça nova

Normal
CGC
Arginina (R)peça com carga positiva
no DNA: G → A na proteína: Arginina (R) vira Histidina (H)
Mutante (R337H)
CAC
Histidina (H)peça sensível à acidez (pH)
Referência usada
NM_000546.6
Endereço no genoma
cromossomo 17, posição 7.670.699
Por que aparece C>T?
O gene fica na fita oposta: G>A no gene = C>T no genoma.
Apelido científico
“mutação germinativa brasileira do TP53”2

Por que ela é comum no Brasil?

refs.1020

A variante veio de antepassados portugueses ou espanhóis e passou de geração em geração no Brasil. Por isso é bem mais comum aqui, sobretudo no Sul e Sudeste: é o .1020

Comparar Brasil × mundo →

Ter a variante não é uma sentença

refs.36

Muitos portadores nunca têm câncer. Sexo, idade, outros genes e o ambiente influenciam, e o peso de cada fator ainda não é totalmente conhecido.36

Ver dados por sexo →

A proteína

A p53, “guardiã” das células, trabalha em equipes de quatro

A p53 vigia o DNA: manda consertar defeitos, pausa a divisão da célula ou a elimina se o dano for grave. Ela age em grupos de quatro cópias, e a R337H fica justamente na parte que une essas cópias, o .78

As partes da p53, da peça 1 à 393

limites aproximados
1100200300393
Conserta o DNA

Aciona o reparo de danos no material genético.

Pausa a divisão

Segura a multiplicação da célula até o problema ser resolvido.

Autodestruição

Elimina células muito danificadas (apoptose).

Aposentadoria

Faz a célula parar de se dividir para sempre (senescência).

p53 mutante · Histidina 337 Clique na imagem para ampliar · imagem real do DynaMut2

Laboratório 3D

A peça 337 de perto

Visualização
Versão da proteína

Imagens reais geradas no DynaMut2. Troque entre as versões e veja as linhas pontilhadas (as ligações da peça 337) mudarem de lugar.

  • hidrogênio
  • polar
  • hidrofóbica
  • Van der Waals
  • choque entre átomos
Ver o resultado completo do DynaMut2 →

Lacuna científica

O que ainda faltava entender, e por que estudar isso

A ligação da R337H com a síndrome já era conhecida. Faltava juntar as evidências clínicas, populacionais e estruturais.

Lacuna

Uma visão integrada

A ligação já era conhecida, mas faltava uma visão que reunisse todas as evidências.

Ler texto completo

A lacuna científica deste trabalho está no fato de que, apesar da variante TP53 R337H já ser reconhecida como associada à Síndrome de Li-Fraumeni, ainda existe uma necessidade de compreender de forma integrada como suas características clínicas, populacionais e estruturais contribuem para a predisposição ao câncer.

Justificativa

Um tema brasileiro

A variante é especialmente comum no Brasil.

Ler texto completo

A escolha desse tema se justifica pela importância da R337H no cenário brasileiro, devido ao efeito fundador e à sua frequência em determinadas populações.

Por que no Brasil? →
Relevância

Da alteração genética ao tumor

O computador permite cruzar dados de várias fontes de uma só vez.

Ler texto completo

A relevância do estudo está em utilizar ferramentas bioinformáticas para reunir diferentes evidências sobre essa variante, permitindo uma compreensão mais ampla da relação entre alteração genética, funcionamento da proteína p53 e desenvolvimento tumoral.

Ver como foi feito →

Método

Como o estudo foi feito: 4 bancos de dados, 4 perguntas

Tudo foi feito no computador (), com dados públicos. Cada banco respondeu a uma pergunta.

Como a pergunta foi montadaEstratégia PCC: o quê, qual aspecto e em que contexto.

P

Problema · o quê?

A variante R337H do gene TP53.

C

Conceito · qual aspecto?

Classificação clínica, frequência, efeito na p53 e tumores.

C

Contexto · onde?

Síndrome de Li-Fraumeni e risco herdado de câncer.

Pergunta de pesquisa

Quais evidências de bancos públicos e ferramentas de bioinformática sustentam a ligação entre a R337H e o risco de câncer na Síndrome de Li-Fraumeni?

Todas as consultas usaram a mesma referência do gene (MANE Select) e do genoma (GRCh38).

Resultados

O que cada banco de dados mostrou

Cada banco mostra um lado da variante. Clique nas imagens para ampliar.

Os laboratórios consideram a variante causadora de doença?

ClinVar

Resposta: sim, patogênica

Banco público onde laboratórios registram como classificam variantes. Seis laboratórios avaliaram a R337H: cinco como e um como provavelmente patogênica. Nenhum discordou.

Tabela 1 · A ficha da variante

Elaborado pelas autoras
Gene
TP53
Variante
R337H · p.Arg337His
Doença analisada
Síndrome de Li-Fraumeni
Tipo
Germinativa (herdada)
Classificação
Patogênica / Provavelmente patogênica
Laboratórios
6
Revisão
Vários laboratórios, sem conflitos
Nível de confiança
★★★★ 2 de 4 estrelas
Última avaliação
28 mai 2026

Quem avaliou, e quando

ClinVar (2026)

Cada cor é um laboratório, e a classificação aparece embaixo do nome. Todas as avaliações vieram de testes clínicos em portadores.

Quão comum a variante é na população mundial?

gnomAD v4.1.1

Resposta: muito rara no mundo

Reúne o DNA de centenas de milhares de pessoas. A R337H apareceu em só 5 de 1,6 milhão de cópias do gene, sem nenhum . Mas o banco tem poucos brasileiros: aqui ela é cerca de mil vezes mais comum.

Uma agulha no palheiro

gnomAD (2026)
5cópias com a variante
1.613.858cópias do gene () analisadas
0,00031%ou seja, cerca de 1 em cada 323 mil
cada ponto ≈ 100 cópias do gene pontos claros formam o mapa-múndi onde a variante apareceu no gnomAD (5 cópias) Sul e Sudeste do Brasil (~0,3%)

As marcações vermelhas mostram os grupos de ancestralidade do gnomAD em que a variante apareceu: 3 cópias em Admixed American (Américas), 1 em europeus não finlandeses e 1 sem região definida. São grupos, não países exatos. A linha âmbar indica a origem lusitana/hispânica descrita para a variante (efeito fundador).1020

Por grupo de ancestralidade

cópias com a variante / total

Maior frequência no grupo Admixed American (povos miscigenados das Américas). Nos demais grupos: nenhuma cópia.

Mundo × Brasil

escala que cresce de 100 em 100 vezes

Medidas um pouco diferentes (cópias do gene × pessoas), mas a diferença mostra o peso da origem da população.410131920

A troca muda a forma e a estabilidade da p53?

DynaMut2

Resposta: provavelmente sim

Programa que calcula como uma mutação afeta a forma 3D da proteína. Resultado: de −0,94 kcal/mol, ou seja, a p53 fica menos estável nessa região.

Medidor de estabilidade

DynaMut2 (2026)
Posição analisada
peça 337 (cadeia A)
Troca
R (arginina) → H (histidina)
Resultado
−0,94 kcal/mol · desestabiliza

Como ler este resultado

DynaMut2 (2026)
  1. Compara a p53 normal (arginina 337) com a mutante (histidina 337).
  2. Calcula o ΔΔG: abaixo de zero significa proteína menos estável.
  3. Resultado: −0,94 kcal/mol, desestabilizante.

A vizinhança da peça 337: normal × mutante

DynaMut2 (2026) · Figuras 4 e 5

O que aparece nas imagens

A fita azul é a hélice da p53; as bolinhas são peças vizinhas; cada linha pontilhada é uma ligação.

O que muda

Com a histidina, as ligações ao redor da peça 337 mudam de lugar: sinal de reorganização local.

Peças vizinhas

ILE332ARG333GLY334ARG335337GLU339MET340PHE341

Legenda das linhas pontilhadas (cores do DynaMut2)

  • Vermelho ligação de hidrogênio
  • Laranja ligação polar
  • Verde contato hidrofóbico
  • Azul-claro Van der Waals
  • Rosa choque entre átomos
  • Azul carbonila
  • Amarelo ligação iônica
  • Verde-claro aromática

Em quais partes do corpo surgem os tumores dos portadores?

TP53 Database

Resposta: principalmente na adrenal

Reúne casos publicados de pessoas com alterações no TP53. Foram 150 tumores em portadores da R337H, a maioria na glândula adrenal (61%, acima dos rins), seguida de mama (14%) e cérebro (11%).

Cada quadrado = 1 tumor registrado

150 no total

Passe o mouse ou toque num quadrado para ver o local do tumor.

Onde os tumores apareceram

TP53 Database

São casos registrados, não a chance individual de cada câncer.

Discussão

Juntando as peças

Juntos, os bancos contam a mesma história, cada um com seus limites. Clique nos círculos.310141516

Tabela 2 · Limitações de cada plataforma
PlataformaO que mostrouCuidado ao interpretar

Conclusão

A R337H causa doença, é rara no mundo e comum no Sul e Sudeste, deixa a p53 menos estável e aparece em vários tumores. Mas, sozinha, não define quem terá câncer.

Conhecer a variante ajuda médicos e famílias a entender o risco herdado. Encontrá-la até em exames do tumor deve levar a um teste genético da família,12 e portadores se beneficiam de acompanhamento personalizado.311

Imagens da pesquisa

As telas originais de cada plataforma

Telas originais de cada plataforma. Filtre, clique para ampliar e use as setas para navegar.

Glossário

Palavras-chave, sem complicação

Termos principais, em linguagem simples. No texto, palavras sublinhadas em amarelo também se explicam ao passar o mouse.

Referências

Referências bibliográficas

Estilo Vancouver, na ordem do trabalho. Clique nos números amarelos do texto para chegar aqui.

21 referências

    Bancos de dados consultados

    ↑